5 jours à paris
ago 22nd, 2010 by Clarice
para quem não sabe, o plano inicial era eu ir pra europa com a turma do dá pedal e ficar o mês inteiro, dirigindo o carro de apoio com mams enquanto os pedaleiros faziam o caminho de compostela. o surgimento de um trabalho me fez mudar os planos, e pra não perder tudo do que já tinha sido preparado, planejado e pago, fui com eles e fiquei apenas em paris, uma semana. agora acompanho as notícias e as fotos no blog dos meninos e morro de vontade de estar lá . mas né?, paris também foi lindo!
as fotos que eu tirei estão publicadas no picasa, se alguém quiser ir acompanhando.
segunda, 02/08
desembarcamos às 17h, de modos que na verdade meus cinco dias são menos que quatro e meio. a clara já tinha arrumado uma van pra nos buscar no aeroporto. estávamos famintos, deixamos as coisas no albergue e fomos comer qualquer coisa ali perto mesmo.
depois de alimentados, já raciocinando, alguns de nós decidimos não ficar no albergue. eu já tinha ficado em albergue no brasil, achava que ia ser parecido, mas gente, sério, esse parecia mais uma república em plena festa do doze em ouro preto. o albergue tinha um pub na recepção, e ver um rapaz desmaiado no próprio vômito atravessado no corredor foi o fim da picada!
a dica boa é que encontramos um hotelzinho ali perto mesmo, simples mais limpinho, praticamente pelo mesmo preço: o albergue era 26 euros por pessoa, o hotel era 50 pelo quarto, que era duplo. quando fiquei sozinha acabei pagando mais que no albergue, mas valeu a pena demais! fora que no hotel o wi-fi era free, no albergue era pago.
depois de feita a mudança, tomamos um chopp ali por perto mesmo, mas foi só.
terça, 03/08
foi o único dia inteiro com a turma toda. encontramos no albergue de manhã e fomos todos à capela da nossa senhora da medalha milagrosa, onde dona ana queria comprar umas medalhas.
a ida pra lá foi nossa primeira incursão ao maravilhoso mundo do metrô de paris. o metrô é bárbaro: trocentas linhas, todas interligadas, permitem que se vá de qualquer lugar a qualquer lugar da cidade com facilidade. a dica é comprar um ticket que vale o dia inteiro: custa 6 euros e você pode fazer quantas viagens quiser durante o dia. tem tickets que duram mais dias também, mas depois eu constatei que três tickets de um dia custavam menos que um ticket de três dias. outra vantagem desses tickets é que algumas estações não vendem passagem, só servem pra quem já comprou.
saindo da capela, a turma toda foi conhecer a catedral de notre dame. como ao sair do metrô identificamos uma fnac ali perto, eu e o bê fomos lá pra comprar meu ipad enquanto a turma ia pra lá. nos encontramos na praça em frente, mas acabou que por isso não entrei, a fila era gigante. mesmo só do lado de fora fiquei embasbacada em como a catedral é maravilhosa. tem algumas fotos dela no meu álbum, algumas até meio repetitivas, mas são tantos detalhes, e ela tão imensa, daria fácil pra ficar o dia inteiro só admirando!
almoçamos num chinês self-service à beira do sena, a 8 euros sem balança, e depois decidimos fazer o passeio de balsa, que é muito bacana! tem vários tipos, o que fizemos saía da pont neuf em direção à torre eiffel, e pouco depois da torre dava meia volta até contornar as duas ilhas e nos deixar no mesmo ponto da partida. dura uma hora, tem uma guia contando história de tudo que aparecia nas margens (em francês e inglês), e a vista da torre surgindo quando o sena faz a curva é uma coisa de tirar o fôlego. interessante também ver o tanto de gente que estende a toalhinha na beira do sena e vai tomar sol que nem se tivesse na praia.
depois de uma descansadinha no hotel, partimos todos juntos novamente para o champ de mars. caminhamos por todo o champ de mars, e é muito bacana a cultura de ocupar o gramado. as pessoas sentam, deitam, lêem, dormem, fazem piquenique, sozinhas ou em grupo, dá a maior vontade de ter isso por aqui também e combinar um piquenique na grama num sábado à tarde. chegamos ao pé da torre um pouco antes de escurecer, e acompanhamos o espetáculo que é quando a noite cai e as luzes se acendem. depois que já estava escuro, ela ainda começou a piscar, linda linda.
jantamos num lugarzinho na praça do trocadero, do outro lado do sena e fomos embora. esse negócio de escurecer só às dez da noite engana demais a gente, parece que tá cedo e já é tipo uma da manhã…

quarta, 04/08
esse foi o dia da partida da turma. mamãe foi com a clara buscar o motorhome alugado e eu fiquei no hotel, fazendo companhia pra dona ana e esperando pra me despedir de todos. acabou que peguei uma caroninha com eles pra poder despedir com calma e conheci a casinha sobre rodas, que é uma simpatia.
separamos no boulevard raspail, em montparnasse, onde começou minha aventura sozinha por paris. caminhei em direção à tour montparnasse, passando ao lado do cemitério que, se tivesse mais tempo, entraria. mas parece que o cemitério bacanão de ir é o pere lachaise, e esse não deu tempo nem de passar perto. na rua que leva à torre tava tendo uma feirinha de artesanato muito simpática, boa pra comprar lembrancinhas.
a tour montparnasse é um prédio novo, até bem destoante da arquitetura da cidade, que vende ingressos para a vista panorâmica do 56º andar. eu que adoro uma vista panorâmica adorei demais. fiz até um filminho do terraço (no 59º!). lá no alto tem uma lanchonete e eu fiquei me achando demais ao almoçar um quiche de salmão debruçada sobre aquela vista estonteante. pena que lá mesmo minha bateria acabou e não teve mais fotos.
lá do alto da torre identifiquei que ali perto estava o jardin du luxembourg, e como estava livre, leve, solta e sem destino, decidi ir pra lá após descer. como não estava na lista dos lugares que eu já sabia que tinha que ir, posso considerar o jardim a maior surpresa da viagem. o lugar é maravilhoso! diferente do champ de mars, que é lindo mas é um gramado aberto, o jardim é um parque fechado, com muitas árvores e diversos “ambientes” diferentes. tem pracinhas floridas com piscininhas para crianças, quadras de esportes, bancos de praça em torno de laguinhos e fontes, e até um pomar! diante do maior tanque de água, com modelos de barquinhos para as crianças brincarem, está o suntuoso palais de luxembourg, que atualmente é a sede do senado. é tudo tão grande e tão lindo e tão antigo que eu imaginei se ali já não foi locaçãopra alguma festa da realeza no cinema.
mais no fim do dia eu fui na apple store do carrossel do louvre, pq queria comprar o case pro ipad e o iphone que o bernardo encomendou. a loja da apple merecia o status de ponto turístico também, eu disse que ela devia chamar appleland. essa, então, fica bem diante da pirâmide invertida, trés chic!
eu já não pretendia mesmo entrar no louvre propriamente dito. depois das compras, voltei à superfície e conheci apenas as pirâmides de perto. é tudo enorme (como parece ser tudo por lá) e muito bonito. fui caminhando em direção à place de la concorde, onde pretendia lanchar, mas fui apanhada por um toró no meio do jardin des tuileries, nem deu pra aproveitar o tanto que o jardim é lindo também… já tava escurecendo (quase 22h), então entrei na primeira estação de metrô que encontrei e voltei pro hotel, não queria que meu único tênis encharcasse demais.
quinta, 05/08
quinta era o dia do programa mais esperado: subir na torre eiffel. na véspera eu tinha comprado ingresso pela internet, e essa dica é de ouro: no site oficial da torre, a gente compra com hora marcada e não precisa enfrentar as filas enormes pra comprar na hora. tem uma filinha pra entrar, mas é normal. apesar da torre ser perto do hotel, peguei o metrô pra chegar pelo outro lado do sena e fotografar em volta do palais de challiot, por onde passamos na terça mas já estava escuro.
desculpem eu não me estender contando esse passeio, mas o fato é que a torre é indescritível. só posso dizer que subir até o topo e observar toda a cidade lá de cima vale a passagem a paris, ainda que você faça só isso! por 10 euros, você compra um champagne em um bar só de champagne que tem lá no alto e esquece o resto do mundo!

à tarde, o passeio foi a montmartre, o único bairro não plano de paris, mas imperdível. como eu disse nos comentários do álbum de fotos, senti uma vibe meio ouro preto: a desculpa é uma igreja — a basilique du sacre coeur —, mas em volta a ferveção é em torno dos bares e da feirinha dos artistas, há barraquinhas de souvenires, músicos na rua, malabaristas, até um neguinho se exibindo na embaixadinha eu vi. a basilique é maravilhosa também, mas todo esse movimento em volta dá um charme todo especial. além de ser mais um lugar com uma vista sensacional.
a basilique fica no topo de uma colina, que até chama atenção quando vista de outros pontos da cidade. diante dela, mais um gramado totalmente bem ocupado desce em direção à place saint-pierre. só quando eu estava lá em cima (eu cheguei pelos fundos da igreja), descobri que tem um bondinho que sobe ao lado desse gramado. ele aparece no mapa do metrô como funiculaire de montmartre. mas eu já tava no alto mesmo, preferi ir descendo a pé.
da place saint-pierre continuei descendo até o boulevard de rochechouart, onde tomei a direção da place pigalle. a região é tomada por boates de strip, cinemas pornô e sex-shops, mas pelo menos com dia claro é um lugar tão tranquilo de andar quanto o resto da cidade, não sei dizer se a barra pesa quando escurece. tirei fotos do famoso moulin rouge. legalzinho, mas não tem nada demais. dizem que por dentro ele tá bem decadente, mas não entrei.
dali peguei o metrô , por sugestão da pilar, passei pela gare du nord pra conhece. as gares são mega estações de metrô onde trocentas linhas se encontram. são muito maiores que as estações comuns, possuem galerias de lojas e tetos decorados. achei a gare du nord um pouco mal cuidada, mas dá pra perceber porque vale a pena ser vista. como o metrô que peguei passava também pela gare de l’est, saltei lá também pra dar uma olhada, mas já estava bem cansada e não me estendi muito. o que foi uma pena, pois essa parecia estar mais arrumadinha.
antes de voltar pro hotel, já de noite, fui conhecer o favela chic, um bar de brasileiros que ficou famosinho pela decoração, os pratos e a ótima música. eu queria conhecer, mas nem aguentava ficar muito tempo, ainda mais sentada num balcão de bar sem conhecer mais ninguém. nada contra, mas não sei fazer isso (só na obra, mas lá eu sempre conheço alguém e falam minha língua, eheheh). o lugar é fofo mesmo, a música é ótima mesmo e eu adoraria ir lá de turma. tomei uma cerveja, mas não recomendo: ninguém merece atravessar o atlântico pra tomar uma nova schin, e eu só percebi quando dei o primeiro gole. peça uma taça de vinho que inclusive é mais barato. mas a porção de salgadinhos estava delícia. e foi só, já tava escuro e eu estava exausta!
sexta, 05/08
como meu voo saía às 7h da manhã de sábado, essa foi minha última noite no hotel. saí de lá já liberando o quarto, mas deixei minha mala na recepção.
comecei o dia pelo arco do triunfo, que já tinha visto só de longe, do alto da torre, sem passar perto. mais um monumento que me impressionou pela enormidade, quase inapropriada para um cruzamento de grandes avenidas! a inteligência é que o acesso é subterrâneo, não precisa esperar o sinal fechar. assim como em notre dame, só a parte de fora já é um espetáculo, que mereceu montes de fotos com mil detalhes a explorar em cada uma. o monumento, construído para homenagear as vitórias militares da frança, traz gravados em suas paredes nomes de batalhas, generais e soldados. há também o túmulo ao soldado desconhecido, uma homenagem a todos os que perderam suas vidas lutando pelo país. é bonito, e fica ao lado de uma chama que nunca se apaga, pois é realimentada diariamente.

como eu tenho mesmo um negócio com vista, subi no arco também. levei o maior susto quando entreguei o ticket pra moça e me vi numa câmara minúscula em que a única opção de caminho era subir uma escada em caracol que parecia não ter fim! respirei fundo e fui, parando algumas vezes pra recuperar o fôlego, mas pensando que quem tá na chuva é pra se molhar. não arrependi nenhum minuto. pra variar, a vista lá de cima é um espetáculo e eu me divirto reconhecendo à distância os lugares por onde já passei. dentro do arco tem umas esculturas, umas maquetes, e vídeos que contam a história do monumento.
de volta ao chão, fui descendo a pé a champs elysées em direção à place de la concorde. no meio do caminho, parei pra fotografar o grand palais e o petit palais. eles ficam um diante do outro, e formam um conjunto arquitetônico junto com a ponte alexandre III. os dois edifícios são museus de belas artes, e pelo menos por fora posso afirmar que são belíssimos, mas não entrei.
continuando, pude apreciar a place de la concorde, que eu não tinha visto direito no dia que tomei a chuva. um obelisco enorme, presente do egito, é todo gravado por hieroglifos que celebram o faraó ramsés II. a praça tem também duas esplêndidas fontes, a fontaine des mers e a fontaine des fleuves.
dali, atravessei o sena pela pont de la concorde e continuei descendo a pé pela boulevard saint-germain, até a igreja de saint-germain des pres, que também vi só por fora. dizem que era ali em volta que a vida intelectual e cultural de paris efervescia no pós-guerra.
dali peguei o metrô até o hotel des invalides. o edifício, com um enorme domo dourado facilmente visto de vários lugares, foi originalmente construído para abrigar veteranos de guerra. hoje, além de alguns museus, abriga túmulos de personalidades francesas, como, por exemplo, napoleão bonaparte. mais uma vez, passei só por fora.
o dia já estava acabando e eu precisava buscar minha mala no hotel, mas antes me dei um presente: voltei ao champ de mars e, como fazem os franceses, deitei na grama e fiquei uma meia hora descansando o corpo e me despedindo da torre.

depois foi só buscar a mala no hotel e ir de metrô pro aeroporto, onde passei a noite mais desconfortável da minha vida, mas também a que cada dorzinha pelo corpo valeu a pena demais. não foram nem cinco dias, mas conheci tanta coisa que nem parece, foi uma experiência pra vida!
ADOREI!
[...] 5 jours à paris [...]
Hello, Clarice.
Que experiência inesquecível, né?!
Chamo-me Kelly Oliveira. Sou brasileira, de Recife-PE. Moro em Portugal há 3 anos e ainda não tive oportunidade de conhecer outros países. Tô pensando em ir a Paris no início de janeiro. Quero passar uns 3 dias por lá. Minha preocupaçãp é justamente a hospedagem. Tenho pesquisado, mas só encontro com distâncias superiores a 5km da Champ de Mars. Gostaria de ficar num hotelzinho pertinho daí.
Será que poderias me dar alguma dica? Nome de algum hotel?
Ficaria muito agradecida.
Abraço.
oi, kelly!
menina, vc perguntou pra pessoa certa! ;-)
o hotel que eu fiquei fica a menos de 1km do champ de mars, dá pra ir a pé fácil fácil! o nome dele é printemps (não confundir com o hotel du printemps, que é mais caro e nem sei onde fica), e fica na rue du commerce, 31. como eu disse no post, é bem simples, mas é limpinho, bem localizado e tem wifi! o email de lá é hotel.printemps.15e@wanadoo.fr
boa sorte e boa viagem!
abs,
clarice